Algo que me incomoda bastante nas assim chamadas “danceterias” é a Síndrome do Bate-Estaca. Esta é uma doença insidiosa e, infelizmente, não letal que acomete praticamente 100% dos sujeitos contratados para trocar discos nos estabelecimentos. Besteira minha achar que este horrível mal teria desaparecido depois de alguns anos longe destes lugares. Tive o desprazer de descobrir que ele continua firme e forte neste fim de semana.

Como acontece com toda doença perigosa, a Síndrome do Bate-Estaca sofreu mutações que a tornaram ainda mais pentelha do que antes. Desta vez, o auto-denominado DJ passou algumas horas tocando clipes e músicas bastante interessantes a um volume tolerável, o tipo de coisa que dava prazer de ouvir e que às vezes era até engraçado dançar. Nem me lembro a última vez que eu vi a Paolla de tão bom-humor. Agora, justamente quando as pobres vítimas achavam que haviam realmente achado um lugar bom para se divertir, o Bate-Estaca entra em ação, mais literalmente do que eu já vi em qualquer outro lugar.

O energúmeno na mesa de som não apenas começou a tocar tecno, ele colocou o ajuste mais grave do equalizador LÁ EM CIMA e abaixou todos os outros até o mínimo. Dentro de quinze minutos, eu já tinha uma idéia bem precisa de minha própria anatomia interna, pois cada órgão estava vibrando individualmente. Era praticamente impossível dizer quando a música mudava – tenho a impressão de que a horrível batida estava sendo tocada independentemente, e o resto do som estava apenas lá para que, no improvável evento de alguém estar prestando atenção na música, não parecesse que a boate tocava a mesma coisa a noite inteira. A partir daquele momento, a única diversão provinha de inventar comentários ácidos sobre a música e quem a escolhia.

Acho que a maioria da clientela regular nem nota o quanto estão sendo roubados ao se submeter às regras de consumação mínima na entrada. Não acho que eles notariam se o nematelminto na mesa tocasse estática a noite inteira. Afinal, tudo o que eles querem na verdade é alguma espécie de ruído para possibilitar suas variadas tentativas de contato íntimo com membros do sexo oposto (ou do mesmo sexo, vai saber).

~ por mestrebira em 31/03/2003.

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