Uma coisa que eu reparei em praticamente todos os autores amadores com os quais eu já cruzei na Internet é que eles têm sérios problemas de auto-confiança. Não chegam a ser terminais, afinal eles colocam o que escrevem na Internet, e com certeza tem gente que nem isso faz. Mas, nos que colocam, a condição é bastante óbvia: você já viu algum autor amador elogiar a própria obra? Sempre que alguém fala da própria obra em uma lista de discussão ou um site é sempre “meus rabiscos”, “coisas aleatórias que eu escrevi”, às vezes até “produto de uma mente perturbada”.

Provavelmente, eles não chegam a achar suas histórias ruins de verdade. O que deve acontecer é que eles não se sentem capacitados a julgar a própria obra, e procuram desesperadamente pela aprovação de outros. Quando eles dizem que escreveram mais [insira eufemismo depreciatório aqui], é porque eles querem ter a seguinte resposta:

“Não, Fulano! O que você escreveu não é [insira eufemismo depreciatório]! É uma obra de arte, uma história excelente! Gostei muito!”

O que eles não querem ouvir é uma confirmação de suas afirmações iniciais. Muitos deles até aceitam críticas de bom grado, mas para outros qualquer correção maior do que uns lembretes de pontuação pode servir como a gota final no balde de insegurança e causar uma aposentadoria forçada e vários complexos.

Isso é um exagero, obviamente, mas os eufemismos depreciatórios me irritam mesmo em doses moderadas. Também me irrita o fato de que eu andei usando alguns ultimamente.

Outra coisa que ocasionalmente me incomoda é a reação das pessoas quando eu peço para que elas leiam o que eu escrevo. Muitas vezes isso acontece pela Internet, então não dá para ver direito. Mas eu imagino que a maioria delas deva encarar o pedido de ler 300 palavras num arquivo texto com a mesma disposição com que encarariam a tarefa de construir réplicas das Grandes Pirâmides do Egito sozinhos, de tanga e na Sibéria. É algo que eu inferi a partir das respostas vagas que eu geralmente recebo, já que elas acham feio dizer “não, desculpe” logo de cara e se poupar de mais 15 minutos de “vai ler ou não”?

Progresso: Indefinido. Tinha 3.204 palavras até agora há pouco, mas eu apaguei um bloco enorme de texto que me pareceu errado.

~ por mestrebira em 20/10/2003.

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