Me ocorre que aquela prova de análise de livros do vestibular é uma farsa. Eles pedem que você leia um bom punhado de livros e que os interprete para responder algumas perguntas, mas existe apenas um conjunto de respostas que é considerado “certo”.

Eu sei, é assim com todas as provas, mas é aí que está o problema. “Qual é a derivada de x^2?” tem apenas uma resposta, mas “Qual é a mensagem central de Memórias Póstumas de Brás Cubas?” possui uma potencial infinidade delas. É um negócio bem subjetivo, no qual não existem respostas erradas.

Os corretores apenas esperam que você lhes diga o que eles querem ouvir, que a sua interpretação bata com a deles (ou com aquela que lhes foi passada de cima). O resultado disso são aquelas dezenas de publicações com análises pré-fabricadas, conjuntos de fórmulas mastigadas que os alunos podem decorar e usar como respostas ao invés de se esforçar em ler os livros e pensarem por si mesmos.

Ia ser legal se houvesse uma prova que testasse a sua capacidade de pensamento criativo, dando nota para as respostas que mais saem daquilo que todo mundo lê em resumos e repete maquinalmente. O problema é que para corrigir isso seriam necessários “eruditos” verdadeiramente imparciais, que soubessem admirar a criatividade de uma resposta sem concordar com ela, e isso é coisa mais fictícia do que um morto escrevendo suas memórias do além-túmulo.

~ por mestrebira em 24/02/2004.

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