Contos e Histórias

Eu costumava ter alguns personagens “marca registrada”, que eu havia passado muito tempo desenvolvendo e que acabaram encontrando suas encarnações definitivas como personagens de Shadowrun. O conceito básico era o de uma “dupla inseparável” de shadowrunners que de vez em quando embarcavam em buscas quixóticas para salvar o mundo, mas que eram bons o suficiente no que faziam para sair por cima no final.

Um era o Réptil, uma espécie de homem-lagarto que havia começado a vida como um daqueles clássicos experimentos de supersoldado, mas que havia escapado e passado a viver como um assassino de aluguel. Ele começaria a carreira como uma criatura desumana e cruel, mas iria amolecendo aos poucos depois de conviver com Ann, a outra personagem.

Ann é uma maga hermética elfa com um passado conturbado, que cresceu nas ruas como membro de gangue. Apesar de não ser o maior exemplo de delicadeza e compaixão do mundo, perto do Réptil ela era uma santa, o que acaba influenciando o monstro. Os dois terminam com uma espécie de amizade bizarra, mas que dá certo.

Há alguns anos atrás, eu resolvi escrever uma série de contos revelando as origens dos dois e como eles vieram a se encontrar. O nome do projeto era “A Rosa e a Espada”, e ele seria composto de várias histórias menores descrevendo épocas importantes na vida dos personagens e examinando suas personalidades. A coisa rendeu algumas histórias das quais eu me orgulho até hoje, mas acabou não chegando ao fim, porque os protagonistas tiveram suas próprias idéias.

Eu escrevi duas histórias protagonizadas pela Ann, “Rosa de Trapos” e “Espinhos e Lâminas”. A primeira descreve o tal passado conturbado, e a segunda é um diário descrevendo um mês na vida dela depois disso. O problema é que, depois de terminar a segunda história, eu fiquei com a sensação de que já havia contado todas as histórias que eu queria envolvendo a elfinha. Dali em diante eu só conseguia imaginá-la vivendo uma vida tranqüila em alguma cidade distante, trabalhando como professora primária ou coisa do tipo. Ela definitivamente não iria querer se envolver no tipo de negócio sujo que parece ser a norma para personagens de Shadowrun.

Com o Réptil a coisa foi pior. Eu não consegui nem terminar a primeira história, que contava a origem dele. Enquanto tentava, descobri que o lagartão não era um personagem tão interessante assim, e que não tinha muita personalidade mesmo depois que ganhava vontade própria. Qualquer história acompanhando a existência dele seria uma sucessão de cenas isoladas de violência, e isso não é tão divertido quanto parece de se ler ou de se escrever. Conforme eu fui analisando o bicho, eu descobri que ele nunca seria do tipo que se “mudaria para melhor” por causa da convivência com seres humanos. Ele não era nem remotamente humano, e nem queria ser. Ele gosta de ser um assassino sem escrúpulos, e nenhuma daquelas criaturas que ele classifica como “presas” iria ser capaz de mudar isso. A história, chamada de “O Aço Inculto”, ainda deve estar flutuando por aí, incompleta e desinteressante.

~ por mestrebira em 06/07/2004.

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